Pequenas mulheres, grandes possibilidades
- 9 de abr. de 2019
- 8 min de leitura
Atualizado: 8 de jul. de 2025
As mulheres fizeram e ainda fazem parte da evolução que a tecnologia tem proporcionado à indústria dos games.
Dados históricos apontam Carol Shaw como a primeira programadora de jogos eletrônicos, Nascida na Califórnia (Estados Unidos) em 1955, Shaw sempre esteve em contato com a tecnologia por conta de seu pai, engenheiro mecânico que trabalhava no Stanford Linear Accelerator Center. Ela já estava inserida em um contexto que facilitaria sua jornada. O que ela não podia imaginar é que as brincadeiras no Minigolfe da região lhe proporcionariam tal inspiração para iniciar uma grande carreira e levá-la ao sucesso.
Aos 23 anos Carol, já formada em engenharia elétrica e ciência da computação, dá início a suas duas primeiras criações no mundo gamer os jogos Polo e 3-D Tic-Tac-Toe, ambos para o Atari 2600, um dos videogames mais vendidos da época. Em 1980, Carol Shaw passa a fazer parte da equipe da Activision e foi responsável por criar o jogo de maior sucesso da época River Raid.
Ao se propor a fazer o que até então nenhuma mulher tinha coragem Carol, deu força a muitos outros nomes, na área de programação, um deles foi Dona Bailey que em 1980 em parceria com Ed Logg, tornou-se a primeira criadora de arcade com o jogo Centipede um grande sucesso de sua época. “Eu fui contratada como a única engenheira de software do gênero feminino. Havia uma relação de 30 homens para 1 mulher. E quando eu saí [da Atari], a relação estava de 120 para 1” declarou ao portal Gamasutra em 2007 “Não me sentia intimidada [por ser a única mulher], mas era uma experiência realmente interessante. Foi minha primeira exposição a esse tipo de situação em que você é a única pessoa de um certo tipo e você meio que perde sua identidade”, completou.
Exemplos de grandes mulheres que fizeram a diferença em uma década onde a força feminina ainda engatinhava. Como vimos, era um período em que haviam poucos indícios de que isso realmente daria certo. O mundo nerd era visto como um lugar apenas de homens, mas essa história já está ficando para trás ou pelo menos é o que se espera.
Um campo de batalha
Tem sido uma grande luta para que o sexo feminino deixe de ser taxado como inferior e não pensante. Apesar de sabermos que isso nunca foi verdade! Talvez alguns valores sobre seus deveres como, filha, mãe e esposa, dos quais lhe foram impostos tenham realmente, tomado muito tempo de suas histórias, mas novamente elas demonstraram força e simplesmente se tornaram múltiplas versões de si mesmas.
A busca pela igualdade dos gêneros vem sendo uma forma de estabelecer, não somente um espaço, mas a conscientização de que, não existem barreiras para qualquer indivíduo, deve-se sim haver respeito independente de qualquer coisa. Recentemente, foi criada a #MyGameMyName (em homenagem ao dia da mulher e o empoderamento feminino), que deixa claro o quanto diversas meninas lindas e inteligentes são responsáveis por diversas conquistas.
Garantir que essa missão seja um sucesso não é tarefa fácil. A # foi uma forma de mostrar o quanto é absurdo o que jogadoras de todo mundo passam ao iniciarem uma partida jogando com um nick name feminino, acabam sendo menosprezadas, e muitas vezes ridicularizadas diante de suas habilidades, que por diversas vezes vem sendo superior a dos tais opressores.
Engajadas no movimento que visa extinguir tais abusos, um grupo de meninas com o auxílio da Wonder Woman Tech (WWT), gravaram alguns vídeos que relatam várias das dificuldades encontradas como gamers, a iniciativa pede a colaboração de mais jogadoras, para que compartilhem tais abusos e denunciem sem medo, quando se sentirem constrangidas e ameaçadas.
Um teste curioso foi realizado por alguns dos grandes nomes masculinos no mundo gamer, que trocaram os nick names famosos por nicks fake femininos, em uma partida. A idéia era que eles sentissem na pele o que às meninas sofrem, resultado! Houveram desde pedidos de nuds, até xingamentos de ódio e calúnia, como: - Vai lavar louça sua Vagabunda!
Entrevista
Samantha Lacerda / 19
1- Quando começou o seu interesse por esse universo?
R: Aos 11/10 anos eu já via animes comuns passar na tv como Dragon Ball e Naruto, isso me instigou a ir além e começar a pesquisar por mais. Virou um vício, eu chegava da escola e corria pra assistir Naruto no SBT haha.
2 - Você se sente bem representada nas personagens e histórias da cultura nerd?
R: Honestamente eu acho que tem seus lados positivos e negativos. Muitos animes tem uma imagem feminina de uma garota fofa, com um corpo exageradamente avantajado. É claro que é uma questão de cultura, mas muito das vezes é mais uma submissão. Porém, tem também personagens muito fortes que não fogem muito dessa questão corporal exagerada, mas elas passam firmeza e seriedade, muitas vezes até são lideres.
3- Como você vê a força feminina dentro do universo Geek? Você acha que ela tem aumentado?
R: Cada vez mais. Temos diversas personagens icônicas que ganham muito destaque por sua força e liderança. Conforme os anos passam, a evolução é constante.
4- Você já sofreu algum tipo de preconceito em jogos ou em alguma outra situação relacionada a cultura nerd? Se sim poderia relatar algum caso?
R: Muitas vezes enquanto eu jogava League Of Legends e caía numa partida com homens, eu evitava ser descoberta por conta dos assédios com mulheres em games serem perturbadores. Uma vez quando fui descoberta, algumas pessoas saíram do jogo alegando que eu ia "afundar o time" ou aquela velha pergunta "porque você não escolheu suporte?" Porque na mente masculina, em jogos online você tem que ser ajudante. Suporte, Mago, e personagens que fiquem mais na retaguarda. Hoje em dia tem melhorado bastante, mas ainda sim quando uma mulher é superior em um game é alvo de muitos comentários desmotivadores.
5- Você acha que o empoderamento feminino tem gerado efeito sobre o pensamento do público masculino? Se sim, esse efeito está sendo negativo ou positivo?
R: Pelo que eu tenho visto tem sido positivo. Hoje em dia tem bastante streamers mulheres de peso, que tem alto nível em jogos e que jogam em união com homens que também são famosos nesse meio.
Que a força esteja com “ELA”
Elas estão com a bola toda! E mesmo com tantas dificuldades, hoje representam 46% do consumo de jogos segundo Game Consumer Insights produzido pela Newzoo, empresa líder de inteligência de marketing para mercados globais de games, esportes e mobile. Muitas delas saem por aí disfarçadas e agem como verdadeiras super heroínas, transformando suas realidades e a de muitos, com criatividade e dinamismo, sem nunca desistir de representar essa classe, que após 40 anos ainda tem enfrentado diversos preconceitos.
É notável a presença das garotas no universo Geek, elas deixaram para trás os dias de dona de casa, e conquistaram espaço em competições de peso, tornam-se a cada dia exemplos de que tudo que se busca pode ser conquistado, nada mais justo que essas conquistas sejam evidenciadas. Recentemente temos nomes que aparecem em diversas categorias no mundo Geek.
Quem são as grandes Heroínas da atualidade
Você pode estar aí pensando que falarei da Capitã Marvel, ou talvez da mulher Maravilha, divas do universo cinematográfico da atualidade, mas temos grandes nomes no mundo real que fazem a diferença quando o assunto é representar a categoria feminina dentro no universo Geek.
Nos quadrinhos temos Gabi Xavier que tem como lema: “Mulher pode gostar de entretenimento nerd e ser vaidosa ao mesmo tempo SIM” deixa claro que a presença feminina no âmbito nerd não exclui sua feminilidade. Gabi tem um canal no youtube, onde fala sobre, Quadrinhos, Animes e Mangás e toda cultura pop em geral.
Através do jogo Minecraft Bianca Williane Tatto, ficou conhecida por ser a primeira mulher do mundo a entrar para a lista dos maiores gamers do Youtube. Com apenas 18 anos , ficou conhecida como Bibi Tatto, hoje possui mais de 6 milhões de seguidores, a paulistana Bibi Tatto é também cantora, escritora e sucesso do entretenimento entre jovens e crianças.
Um outro nome de sucesso é a Lady Sybylla, Geógrafa, professora, escritora e mestra em Paleontologia. Além de todas essas especialidades, dedica seu tempo a escrever um pouco sobre sua paixão, ficção científica, o livro Universo desconstruído- Vol. I Ficção Científica Feminina, é uma obra que mistura a força feminina e demais gêneros excluídos da sociedade tradicional, que visa principalmente parar de produzir mais do mesmo, na área de ficção científica. Os Livros da Capitã (Como gosta de ser chamada), estão disponíveis em seu site para download gratuito.
Nicolle ”Cherrygumms” Merhy Ex-atleta profissional do “Rainbow Six Siege”, Cherrygumms também é empreendedora e DONA da equipe em que atuou durante sua carreira como ciber-atleta, a organização Black Dragons. Aos 20 anos, até então, ela foi a única jogadora do FPS da Ubisoft na América Latina.
Estudante de direito, Nicolle começou a jogar “Quake 3 Arena” aos 7 anos influenciada pelo pai, e o amor por games só cresceu desde então. Mesmo afastada do cenário como atleta, Cherrygumms ainda produz vídeos de gameplay para o YouTube e Twitch TV. Além de tudo, ela é a única mulher (entre 75 personalidades) indicada no Prêmio eSports Brasil de 2017, o primeiro do País para esses profissionais. Nicolle concorre na categoria Personalidade do Ano.
A força da era Digital
A tecnologia, juntamente com a internet, vem contribuindo para uma expansão significativa que dá voz a todas as formas de pensamento que antes se faziam oprimidos. No universo feminino esse tem sido um divisor de águas. Algumas das grandes histórias começam por Hobby, como foi o caso de Júlia Mazuco (21) e Paula Pinter (25) criadoras do site Nerd & Diva, um portal que permite a troca de ideias de todo o universo geek, seu maior diferencial tem sido o prisma feminino.
Para dar um UP! e completar a equipe, Julia e Paula convidaram Julia Arrais (28). Desde então às três criam conteúdo diariamente, em grande parte resenhas de livros, filmes e jogos, que acabam servindo como sugestão para muitas meninas que estão inseridas nesse universo e até mesmo para as iniciantes. “Eu acredito que estamos cada vez mais tomando forma e crescendo dentro desse universo. E isso é muito importante para quebrar alguns estereótipos de que “ah, mulher não é geek mesmo” , conta Júlia Mazuco
Assim como as meninas do Nerd & Diva, alguns outros grupos de mulheres tem se dedicado a escrever sobre o assunto, o site Garotas Geek, Delirium Nerd e Minas Nerds são alguns dos exemplos de grande sucesso no meio, dentre os usuários estão homens e mulheres de diferentes idades, mas o foco continua sendo nas meninas.
O site Delirium Nerd, foi criado por Isabelle, inspirada pelo site Minas Nerds, e na busca por compartilhar seus gostos pessoais e conhecimentos, da vida ao portal, Isabelle conta “ As autoras criticavam diversos aspectos da representação feminina e abordavam questões relacionadas ao sexismo, a objetificação feminina, além de personagens femininas construídas apenas para o crescimento dos personagens masculinos” Ela se viu despertada para um novo universo, descobriu- se feminista e através de muito estudo e dedicação, passou a escrever sobre, com duas amigas. “O site foi crescendo tanto que algumas mulheres entraram em contato comigo para colaborar”
Ao contrário do que possa parecer às meninas dos portais mencionados, não se veem como concorrentes e sim como parte de algo maior, o portal das Garotas Geeks também conta com uma equipe de garotas, como o próprio nome faz remeter. Nasce da inspiração de um projeto de faculdade em 2010, na UNESP de Bauru, interior de São Paulo. Foi coordenado inicialmente pela Marina Formaglio, Bárbara Silva, Tamirys Seno e Luiza McAllister - as fundadoras do site.
Neste Portal, podemos encontrar diversas inspirações femininas e dados atuais de informação, entretenimento e cultura. Para Débora Carvalho, editora do Garotas Geeks “A melhor parte é saber que não estamos sozinhas. Ser referência disso e poder fazer referência para outros sites femininos e mulheres maravilhosas que fazem número a esse meio, é também algo sensacional. Ver tanta mulher inspirando outras mulheres a se expressarem e se unirem pelo amor ao mundo geek é emocionante.”
Recentemente o site Minas Nerds, teve a iniciativa de criar um evento que ocorre no último sábado de cada mês com intuito de reunir, mais e mais mulheres interagindo sobre suas experiências. No ano de 2019 o dia Minas Nerds será comemorado no mesmo dia do Orgulho Nerd (25 de maio), mais conhecido como o dia da toalha.
.png)



Bacana a Entrevista