A grande Fênix
- 1 de nov. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de jul. de 2025
A estação da Luz sobrevivente de dois grandes incêndios, permanece sendo referência histórica
A inglesa como foi chamada inicialmente, foi inaugurada em 1895 no entanto devido a um acidente nos trilhos, suas atividades ficaram suspensas voltando a funcionar somente dois anos depois, em 16 de fevereiro de 1897. O principal intuito de sua construção foi o transporte de iguarias, em especial o café, que era a especiaria de maior exportação do país, seus trilhos interligavam a cidade de São Paulo ao porto de Santos com extensão de 78,470Km .
Foi por alguns anos sinônimo de desenvolvimento, a estação representava a elite brasileira por conta de sua estrutura projetada por Charles Henry Driver um britânico famoso no ramo de construções ferroviárias. A matéria prima utilizada veio de diversas partes do mundo, seus tijolos da Inglaterra, os ferros de sua estrutura da Escócia, suas telhas da França e os vidros aqui do Brasil. No topo de sua torre uma réplica do Big Ben de Londres foi instalada, seu relógio era o principal referencial para acerto dos relógios da cidade. Destruído pelo incêndio de 1946, foi substituído, cinco anos depois, por um relógio Michelini, de fabricação nacional.
Não há dúvidas de que a ideia inicial era trazer mais comodidade e acesso a longas distâncias, com maestria e sofisticação, mas com o passar do tempo houve um declínio de seu conceito e o belo e rebuscado sonho europeu perdeu seu brilho.
Infelizmente o incêndio de 1946 atingiu boa parte da estação. A ala oeste não foi atingida pelas chamas, pois a torre do relógio serviu de chaminé, especula-se que o incêndio tenha sido provocado de maneira criminosa na intenção de apagar possíveis provas envolvendo suas escrituras, a São Paulo Railway Company estava prestes a transferir a administração do prédio para o Governo Federal.
Como uma Fênix a Luz se restabelece e algumas mudanças ocorrem em sua estrutura, a criação de um novo andar e a implantação do Museu da Língua Portuguesa inaugurado oficialmente no dia 20 de março de 2006 proporcionaram ao local traços de modernidade e aumento da rotatividade. A estação é a segunda mais movimentada da rede metroferroviário de São Paulo, com uma entrada de 147 mil passageiros por dia. Perde somente para a Estação Brás (150 mil) em número de pessoas.
Novamente em situação de risco a estação da Luz sofre com outro incêndio em 2015 que além de interditar por 10 dias às operações, devastou o Museu da Língua Portuguesa. O incêndio teve início após um curto circuito, no dia da ocorrência o museu estava fechado para o público. Ao visitar a estação Luz, e se deparar com a riqueza de sua arquitetura fica difícil imaginar que esse belíssimo patrimônio histórico já foi palco de dois grandes incêndios.
Sua arquitetura não foi a única coisa que mudou com o passar dos anos, o bairro em que está localizada se tornou reduto de drogas e prostituição. Sua beleza e maestria não condizem com os que ali rodeiam, forma-se um paralelo de nobres e plebeus. O modo como Charles Henry Driver cuidou de cada detalhe parece se dissipar diante da sujeira, poluição e promiscuidade no entorno. A mágica de estar em uma estação que transporta seus passageiros a uma atmosfera europeia, carece de sentido.
Atualmente a estação passa por uma revitalização, tanto a parte externa quanto o museu e as plataformas estão em obras, para melhor atender aos usuários. A região é de grande movimentação, com acesso a Pinacoteca de São Paulo, o parque da Luz, o bairro Bom Retiro (local de grande fluxo de comerciantes), e o bairro Campos Elíseos. Com todas as possibilidades de se manter uma referência da elite brasileira, ainda sim a estação da Luz passa por grande decadência em seus arredores, e muito deste cenário se deve a falta de segurança e policiamento. Mas a Luz é a própria definição de sobrevivência e com certeza continuará sendo provedora de boas histórias.
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